<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870</id><updated>2011-07-08T06:34:04.024+01:00</updated><title type='text'>Trechos díspersos</title><subtitle type='html'>São trechos dispersos, sem ligação, estes que aqui surgem, pequenos rabiscos do imaginário de um jovem rapaz que vive no seu mundo, esperando que um dia peter pan o venha buscar e possa enfim voltar a ser criança.
Política, música, literatura, teatro, criancices passarão por este espaço, sempre que eu acordar com vontade disso</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-506094709605617893</id><published>2010-05-11T14:44:00.004+01:00</published><updated>2010-05-11T14:53:12.256+01:00</updated><title type='text'>Viagem...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/S-lgr2R-fJI/AAAAAAAAAAY/G4ae4gxTjbQ/s1600/3003930001_3635f2d903%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470009528839732370" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/S-lgr2R-fJI/AAAAAAAAAAY/G4ae4gxTjbQ/s320/3003930001_3635f2d903%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O som de um Bulbul Tarang começa a fazer-me mover. Os meus pés, antes como que cimentados ao chão, erguem-se sem esforço e acompanham o ondolamento do resto do corpo. Tenho uma estranha vontade de me mover para oriente, talvez em busca da origem das notas que me envolvem. Desta melodia a qual o meu corpo deixa de obedecer à mente e flui livre.&lt;br /&gt;O ritmo eleva-se fazendo galopar a pulsação para níveis supostamente inatingíveis, porém eu alcanço-os e nesse preciso momento sinto-me a abandonar a terra, ficando cada vez mais perto das nuvens. Estas sorriem num cumprimento de quem há muito me espera, eu retribuo dançando com elas. Sons mais ocidentalizados de violino trazem um velho conhecido para esta dança, o vento, o que nos impele para o meu destino.&lt;br /&gt;Estou agora sobre terras geladas onde nasceram e morreram os ideais de igualdade. E de onde emerge uma força sugadora de “realidade” que me parece puxar para terra. Caio, caio drasticamente em direcção ao solo, às obrigações, as reprimendas, aos olhares desconfiados, aos rostos sisudos. E numa fracção de segundo despeço-me para sempre do sonho…&lt;br /&gt;Mas para mim, sempre e nunca, são palavras que não existem.&lt;br /&gt;Abro os braços soltando uma gargalhada audível em todo mundo e sou automaticamente amparado pela natureza, por 4 corvos lindíssimos que me mostram a vida presente também nos lados negros, eles devolvem-me a onde pertenço e volto a dançar entre as nuvens.&lt;br /&gt;O vento apressa-me, fecho os olhos, rodopio mais rapidamente do que poderia sequer imaginar e quando volto a erguer a pálpebras ali estou eu. No meu destino. Islamabad, terra onde foram vertidas demasiadas lágrimas e demasiado sangue. Mas também onde surgiu o instrumento que originou esta viagem.&lt;br /&gt;Cheguei a casa, assombrado pelos monumentais Palácios e acolhido pelas tendas de vendedores ambulantes. Um deles abraça-me e os seus braços injectam-me nas veias a informação para onde devo ir. Volta o som do Bulbul Tarang e corro com todas certezas, naqueles becos, onde se amontoam peças de cobre com porções de ópio e ecoam regateamentos de preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que surge uma porta vermelha.&lt;br /&gt;É aqui que me dirijo, eu sei. Abro-a e músicos aos quais apenas distingo os vultos começam a tocar.&lt;br /&gt;Um sábio acena-me e entrega-me um pau de incenso que diz ser mágico. Guardo-o e começo a dançar. Passam-se horas e não me sinto nem um pouco cansado. È como que cada nota me desse mais e mais energia. Cada música me oferecesse um pouco mais de vida e sinto ser imortal ao dançar.&lt;br /&gt;A dada altura o Bulbul Tarang fica mais forte, e mais, e mais, de tal forma que apenas o ouço a ele, Apesar de todos instrumentos continuarem a tocar, decido instintivamente pegar no pau de incenso e acende-lo. A sua incandescência é tão intensa que me hipnotiza e deixo de controlar por completo o meu corpo. Eu que nunca soube desenhar pareço começar a traçar um corpo enquanto danço.&lt;br /&gt;È um corpo Feminino distingo agora claramente, com todas a proporções correctas, e que esvoaça em harmonia com a Música. Possui um sorriso brilhante, provocador que parece conduzir o olhar para todo corpo. Não consigo parar de sorrir ao sentir a liberdade daqueles movimentos, ao mergulhar na sensualidade das oscilações daquele corpo. Entendo agora que não fui eu que a criei, ela apenas me foi apresentada neste dia em que resolvi ser livre.&lt;br /&gt;Danço com ela, sentindo o prazer da liberdade, sussurro o quão bem me sinto e sincronizamos brilhos de olhares…ela não pertence a nada se não ao mundo e eu, bem eu aprendo a encontrar o mesmo caminho.&lt;br /&gt;Beijo-a na mão e digo um tchau, pois detesto adeus, por hoje abandono-a mas a minha alma reclama quer ser mais dias livre com aquele ser pincelado na tela pela música e encarnado na terra por sorrisos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-506094709605617893?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/506094709605617893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=506094709605617893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/506094709605617893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/506094709605617893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2010/05/viagem.html' title='Viagem...'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/S-lgr2R-fJI/AAAAAAAAAAY/G4ae4gxTjbQ/s72-c/3003930001_3635f2d903%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-2212215272451403679</id><published>2010-03-15T21:53:00.002Z</published><updated>2010-03-15T22:05:31.926Z</updated><title type='text'>Bonequinha de Trapos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Subo escadas rangentes que me dirigem a um sótão. Não o conheço, embora esteja no local a que chamo casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Em criança foi-me vedado pelos meus pais, numa medida proteccionista que evitaria possíveis acidentes, e para quebrar a minha curiosidade inventaram uma história de um monstro devorador de crianças, que certo dia havia comido uma princesa mais curiosa. Cresci, e a história devia ter desaparecido, porém ela cresceu no meu interior, de tal forma que dei por mim a acreditar que o monstro não devorará a princesa, mas sim a aprisionará e que daí em diante ele aproveitava o seu choro, para atrair meninos incautos e sonhadores, que passavam do sonho para o estômago do monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Durante as noites ouvi o choro da princesa, não era um choro desesperado, histérico, não. Era terno, um doce lamento que se propagava pelo ar e entrava no meu mundo encantado, seduzia-me cativava-me de modo a que eu não sentia revolta e uma vontade heróica de a salvar, sentia sim a barriga as cambalhotas, os dedos dos pés a encolherem-se e um sorriso surgia em mim, levando-me a ter movimentos sonambulares em direcção ao sótão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Mas eu nunca gostei muito de princesas, sou mais dado a bonecas de trapos e sempre despertei ao subir o primeiro degrau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Exactamente dezoito anos após ter vindo parar a esta terra, algo aconteceu, já a lua se tinha instalado entre as duas estrelas mais brilhantes e ainda nada se ouvira vindo do sótão. Adormeci de ouvidos despidos, mas mal pisei a terra dos sonhos o meu corpo foi transportado para um espaço jamais visto. Mas familiar. Vi um lugar amplo, poeirento, armários mais antigos que o próprio edifício lado a lado, formando um U. No centro, bem no centro uma jaula, semelhante às que aprisionam animais nos circos, mas que no seu interior tinha uma menina. Longos cabelos louros ornamentados com uma tiara vestido rodado e cintado sobre um corpo claro de acordo com os olhos azuis. Uma verdadeira princesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Acordei do sonho, nessa manha por várias vezes os meus olhos se colaram na porta do sótão, sabia que lá tinha estado no sonho e a minha mente convidava-me a procurar a princesa. “Disparate”, pensava, “como se aquilo fosse possível, já não bastava ouvir vozes até aos dezoito anos, como agora acreditava em sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Não pensei mais nisso, ou talvez tenha pensado pois continuei a não me dirigir ao sótão, e as minhas noites perderam as vozes. E os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Até que se apagaram dezanove velas e a lua voltou à mesma posição, alguém me leu a bela e o monstro antes dos meus olhos se fecharem, e nessa noite retornei ao sonho, ao sótão. Mal invadi aquele misterioso local assisti a algo tenebroso. Uma criatura gigantesca, de longo pelo castanho e garras assustadoras, alimentando-se de um pobre rapaz. Incrivelmente não tive medo, posso até garantir que a ausência de movimento por minha parte não se deveu a petrificação, mas a espanto genuíno que me fez ficar a observar. À medida que finalizava o monstro ficava dócil, sonolento, menos medonho e por traz de si aparecia a jaula. A jaula da princesa. No entanto também ela se transformava, e juro que uma paragem cardíaca aconteceu em mim, ao vislumbrar que com o adormecer do monstro, a princesa se tornava uma pirilimpesca bonequinha de trapos, de cabelo escuro, roupa colorida, pele clara e que dançava, dançava maravilhosamente as notas que só ela ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O meu despertar trouxe a certeza que teria entrar no sótão, buscar a bonequinha de trapos mesmo que tivesse que morrer a tentar. Subi as escadas de rompante, toquei no puxador e… fui travado pela razão. “ É só um sonho, parvo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Sim, mais um ano passou. E durante o meu jantar de aniversário, já começava a pensar como seria o sonho dessa noite. Porém senti uma voz “não penses”, voz autoritária que bloqueou o meu cérebro e quando me levantei para apagar as velas, já não estava no jantar. Encontrava-me sobre a jaula, no sótão com a bonequinha de trapos sorrindo para mim e o monstro dormindo. “olha para seu dorso, e descobre como me tirares daqui”. Olhei com a atenção de nunca, procurando o pormenor que qualquer olho humano não notaria, e vi, vi uma ferida aberta na espinha do monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Regressei ao mundo, com os sentidos ainda cambaleantes, no momento em que me dava uma prenda. Uma bonequinha de porcelana em forma de princesa. “Se a deixar cair ainda fica uma boneca de trapos” disse rindo interiormente, numa piada que só eu entendi.&lt;br /&gt;E mais uma vez acobardei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Até há segundos, quando um encosto involuntário fez derrubar a “princesa” do seu pedestal, tornar-se cacos, mas no seu interior, revelar uma boneca de trapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Estou com a mão no puxador e agora nada me fará recuar, abro a porta com toda a força e esta parece demorar uma vida a abrir. Mas lá esta, o sótão, igual ao que sonhei, contorno os móveis e sou imediatamente derrubado, as garras do monstro rompem-me o peito, os seus dentes procuram entrar em minha carne, mas consigo escapar-me. Ele persegue-me e subo para cima de um móvel, quase caio, mas livros como principezinho, Alice no país das maravilhas e Peter pan sacrificam-se para me salvar. Os meus olhos ganham alcance para o seu dorso…Salto, e caio perfeitamente no local da ferida. Seguro-me com toda a força evitando as chicotadas corporais e começo a lamber a ferida. Deposito com a minha saliva, todo o amor que sempre quis dar a alguém, aquele ser tem um ferida incurável e eu tento apagar o seu sofrimento. Lentamente as chicotadas desvanecem, ele deita-se, acalma e a ferida fecha. Desço escorregando no seu macio pelo e antes mesmo de procurar algo mais, olho o seu rosto. Ele dorme, sorrindo e eu subo ao seu nariz de modo a dar-lhe um beijo na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Ouço, o barulho de um cadeado abrir, lá está ela ainda mais bela que os meus sonhos me mostraram, tem a chave da sua sela na mão. “Apenas esperava por ti, podia fugir quando quisesse”. Não, não é confusão que surge em mim com esta frase, é outra coisa, aquele sentimento que só alguns sabem exprimir mas que para o qual ainda não se inventou palavra, talvez por ser a união de todas as sensações. Sorrimos, choramos, e as nossas lágrimas caem em simultâneo, ouço a mesma música que só ela ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E dançamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E dançamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E abraçamo-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E abraçamo-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E beijamo-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             E beijamo-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Num preludio de dias e noites juntos, escutando a música que só nós ouvimos e cuidando daquele ser adormecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-2212215272451403679?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/2212215272451403679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=2212215272451403679' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/2212215272451403679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/2212215272451403679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2010/03/bonequinha-de-trapos.html' title='Bonequinha de Trapos'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-8043269700065816421</id><published>2009-02-09T20:34:00.001Z</published><updated>2009-02-09T20:45:17.233Z</updated><title type='text'>Eu, novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“És preconceituoso!” Duas palavras que se transformam em armas, uma machadada no meu pescoço, uma bala na garganta, um soco no peito, uma granada no estômago. Porém qualquer destes engenhos é accionado por mim, no preciso momento em que sinto, “é verdade”, nada de injustiças, de raivas, incompreensão. Apenas a dura aceitação da culpa, sentindo-me como que um assassino que no momento em que é lida a sentença, e o juiz diz “culpado” se apercebe que realmente matou alguém. Neste caso cometi o meu próprio homicídio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há exactamente um ano atrás tive uma conversa deliciosa, não devido ao bolo de chocolate que a acompanhou, nem pela beleza de quem estava do outro lado da mesa mas porque me fez perceber ter adquirido plenamente o princípio que há muito regia a minha vida. Aprender com cada partícula que se cruze comigo. Nos meses anteriores e posteriores, conheci uma primavera de pessoas, às vezes dezenas delas por dias. Fui capaz de discutir tudo de uma base livre expondo, oferecendo, ouvindo e adquirindo ideias e perspectivas, construi-me e fui feliz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém quanto mais cresci também se adensou em mim, outra coisa, outro sentimento, mais invernil, mais frio, o medo. Medo que tudo um dia acabasse, um pavor congelante de deixar de ser um vampiro emocional, capaz de se alimentar dos sorrisos e dos conhecimentos das pessoas com que se cruza. O vampiro tornou-se predador, em busca de sorrisos que o confortassem, quis sentir ser especial e viciou-se em elogios. Mas os vícios são sempre perigosos e quanto mais elogios recebia, mais era o medo de os perder, Tremia apenas a pensar que poderia deixar de fazer as pessoas felizes e sem reparar passou a tentar esconder imperfeições. Apenas queria criar sorrisos nas pessoas, nada de lágrimas. Sem se aperceber quis ser perfeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E com isto os meus dias passaram a ser programados, duas horas na faculdade que “mete nojo”, depois vou ate aquele jardim onde está o palhaço que me faz sorrir, passo pelo lusitano onde terei uma conversa filosófica extremamente agradável, vou para casa e escrevo um texto a falar de como é bom aprender…Mas aprender o quê? Que aprendi eu num dia totalmente orientado e onde procurei momentos interessantes indo a locais onde acharia que eles estariam? Foi assim que aprendi o que sei? Foi assim que partilharam comigo maravilhas que mais tarde foram partilhadas por mim, e assim sucessivamente criando uma verdadeira corrente de felicidade? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei como, mas esqueci-me que a Faculdade que mete nojo, me trouxe a pessoa mais importante da minha vida, trouxe o amor ao teatro, trouxe-me a alegria de dançar. Esqueci-me que as conversas filosóficas extremamente agradáveis no Lusitano, nasceram muitas vezes em tabernas onde entrei para beber uma água e frases como “nós somos bêbados, não acredita? Apenas bêbados falam de política seriamente”, entraram em mim, criando a certeza de ter que conhecer o seu autor. Esqueci-me até, que o palhaço só me faz sorrir, quando eu não sei que ele esta lá e surge inesperadamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não acontece nada novo, mas não acontece não por culpa do mundo estar parado, das coisas bonitas fugirem, do Sócrates ser primeiro-ministro, de a Maddie não aparecer ou até de haver uma conspiração mundial contra mim. Não acontece nada novo porque quis esconder imperfeições, quis ser eu a programar a felicidade, e ela é livre só vem quando e como lhe apetece. Procurei tanto a loucura que a minha mente ficou sã. E mais perdi aquela que era a minha maior qualidade, a vontade incessante de aprender e transmitir o que aprendi, o abrir os braços a qualquer pessoa e inspirar tudo que ela tem para dar. Sem medos, partilhando tudo que há de belo e de monstro em mim. Nunca quis ser perfeito, isso não existe, é tão falso como a palavra sempre, outrora quis aprender e melhorar, corrigir defeitos. E só agora percebi que ao apagar os defeitos, em vez de analisá-los, discuti-los e aprender com quem já os teve, tem, ou até os repudia. Me fez também apagar aquilo que tenho de bom, aquilo que realmente me tornava interessante. Ser capaz de aprender com cada partícula que se cruze comigo, não procurar nada dos dias, estar simplesmente aberto ao que eles têm a dar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tive exame hoje de manha, não correu muito bem. Estudei pouco. Quando saí encontrei o Sérgio cá fora. O Sérgio é um rapaz da faculdade que “mete nojo”, mas com quem pouco fui falando ao longo do tempo, nos últimos meses talvez duas ou três vezes. Nunca passou do “olá tudo bem?”, “então tens ido a muito concertos?”, sempre tive mais apressado em busca de não sei o que…mas hoje deixei que ele fosse além do “o exame correu bem?” e o resultado, foi a conversa acabar 3 horas depois, após gargalhadas, partilhas de experiencias em concertos e debate a cerca dos milhares de estilos de metal existentes. Saí da faculdade, sem antes não deixar de reparar, que apesar de feia, ela até tem uns jardins engraçados, não sabia muito bem para onde ia, não queria saber. O meu corpo dirigiu-se até dois livros, com a correspondência de Fernando Pessoa que passaram a ser minha pertença, depois foi até um café onde a minha falta de habilidade em abrir a porta, me levou a conhecer o João. O João é um estudante de filosofia, lia Nietzsche quando lá cheguei, Nietzsche é o meu filósofo favorito, o dele é Kafka. Expliquei que nunca tinha entendido o fascínio por Kafka, e que certas coisas nele me pareciam ate verdades de La Palice. Ao que ele contrapôs dizendo que também lhe acontecera isso em Nietzsche e que por isso é que andava a lê-lo muito, para compreender o fascínio, e que achava que começava a perceber. O João teve que se ir embora mas deixou-me a sorrir, vi na vontade de compreender dele o que eu já fui. O resto do dia, trouxe-me um semi-frio de caramelo, a Joana (a tal pessoa mais importante da minha vida, que conheci na faculdade, que se calhar até nem mete nojo), a amiga da Joana que também se chama Joana, uma avaria de comboio e um beijo na testa da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabem, senti-me bem. Não só em momentos do dia, mas em todo ele. Não correu como esperava, porque dele nada esperava. Não teve momentos lindos, teve momentos normais, que acontecem em dias normais, tal como os momentos bonitos. Hoje quando for dormir saberei novamente o que é um dia a sorrir, sem pensamentos desnecessários. Mais saberei que, não de um dia para o outro é certo, mas que com os dias, recuperarei a minha curiosidade e vontade de aprender. Deixarei acima de tudo de ter medo dos defeitos, pois eu não sou perfeito, nem quero ser. Só quero mesmo ser eu, haverá quem goste, haverá quem não goste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas acima de tudo eu voltarei a gostar de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-8043269700065816421?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/8043269700065816421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=8043269700065816421' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/8043269700065816421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/8043269700065816421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2009/02/eu-novo.html' title='Eu, novo'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-3771361086076669787</id><published>2008-12-04T12:23:00.002Z</published><updated>2008-12-04T12:31:54.749Z</updated><title type='text'>Pour toi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tento me equilibrar numa liana mágica. Não deve ter mais que a espessura de um cabelo, porém a planta dos meus pés aprendeu a adaptar-se perfeitamente a ela e já falta apenas metade da travessia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quanto tempo foi dado o primeiro passo? Não consigo saber, há muito certamente pois já perdi a conta as noites que passaram. Mas recordo o momento, encontrava-me sentado ao pé do abismo, tinha passado os últimos anos da minha vida ali mesmo. Acomodado ao cinzento que me envolvia e com receio da altura do que estava a minha frente. Auto -crucifiquei-me, pregando a minha carne aquele lugar com o medo de não saber o que havia do outro lado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“E agora respira” foi tocada esta frase na imensidão do nada, mas a minha cabeça ergueu-se tentando discernir a origem daquela melodia. O meu coração parou. O meu corpo congelou. Os meus olhos vidraram. Quase que como no espasmo primordial que é o nascimento, tive um choque imenso ao voltar a ver cor. Vermelhos, verdes, azuis, amarelos, roxos, rosas, laranjas. Entraram nos meus olhos proporcionando o efeito alucinogénico que nos faz sorrir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porem a cor estava lá do outro lado, tão longe de mim e com um enorme espaço vazio entre nós. Tentei esquecer aquilo fechando os olhos, acreditando que assim apagaria a vontade de ir para o outro lado. Porem a única coisa que consegui foi adormecer, e então sonhei. Sonhei com coisas belas, músicas encantadoras, telas pintadas com almas, corações batendo de uma forma melodiosa. E este sonhos deixaram de ser monocromáticos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei, ganhei finalmente coragem. Aparentemente não havia forma de percorrer o caminho até a felicidade, no entanto eu sentia que era possível e uma finíssima liana apareceu diante de mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não tive qualquer receio dei imediatamente firmes passos, parecia ter vivido eternamente naquela doce instabilidade, que me fazia balançar sobre a morte mas sem nunca cair. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora já a meio do caminho, reparo que este parece mais curto, consigo tocar os dois lados em simultâneo, o cinzento digladia-se com as outras cores tornando a liana cada vez mais instável, quero continuar para o amor que há a minha frente, mas o medo de cair quase me leva a voltar para traz. Sou atingido de ambos os lados por doses letais, ora de felicidade ora de comodismo ao que sempre foi a minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tento encontrar coragem num rosto que vi num sonho, e que acredito ter formado esta liana mágica. E faço-lhe um pedido audível no mundo inteiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Por favor, não me deixes cair!”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-3771361086076669787?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/3771361086076669787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=3771361086076669787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/3771361086076669787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/3771361086076669787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/12/pour-toi.html' title='Pour toi'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-5394073640917419485</id><published>2008-11-15T11:39:00.003Z</published><updated>2008-11-15T11:45:29.814Z</updated><title type='text'>Jardim dos loucos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Balouça diante de mim a cabeça de uma pequena rapariga. Está apenas a ouvir musica, por sinal de qualidade duvidosa, porém esta imagem transporta-me para uma outra estranha, mas agradavelmente familiar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os meus pés atravessam diariamente um lugar, afundando-se no pântano sensitivo que a ele está inerente. Hoje resolvo parar, injectar-me com todas as essências que podem ser daqui extraídas e viajar por cada rosto do jardim dos loucos. Este é o único local sombrio perfeitamente iluminado, numa simbiose impossível se não num local, onde a sanidade é esquecida e apenas é permitido ser-se humano.&lt;br /&gt;Decido me sentar então. Este jardim polvilhado por bancos, mas onde poucos estão ocupados devido a talvez quem o atravessa acredite que é neles que reside toda a loucura, serve de local de repouso, para umas pernas desgastadas de caminharem num mundo que não é delas.&lt;br /&gt;A primeira face que vislumbro é a de um velho, digo velho pois é desprovido daquele ar simpático que quase todas pessoas com uma certa idade adquirem. Este tem olhos cor de sangue, roupa invernal num dia quente e as mãos negras e cortadas seguram um pão, que não deve ter menos que 8 dias. Porém ele partilha-o, comendo tanto quanto dá a três pombos e associado ao olhar esfomeado que detém começo a sentir simpatia por este homem. Ele resolve me surpreender cantarolando uma música popular sobre o destino, e solta numa voz que deveria ser audível no mundo todo “Destino? Seria meu destino ser um louco?”&lt;br /&gt;“ Todos somos para eles”, revela uma voz feminina, referindo-se aos figurantes deste jardim, as pessoas que o atravessam, sem sentir a sua magia. Esta mulher passa a prender-me a atenção, e reparo que anda a volta da maior arvore, ela conta algo, mas não consigo perceber o quê. Levanto-me, aproximo-me e então entendo,  “hoje caíram 200 folhas Joana”. O nome que atribui, num acto maternal, relembra-me alguém cuja sua árvore é de folha caduca, como a minha, alguém que vê o jardineiro, e não esta louca, levar-lhe as folhas caídas do local onde algo novo nascerá. Talvez esta mulher se reveja na Joana, e veja dia após dia folhas caírem, mas mantenha a esperança que a primavera regresse. Pobre mulher tenta que a árvore se agarre á vida, para florescer uma vez mais, embora o seu olhar indique que o seu interior acredita que não passará mais um inverno.&lt;br /&gt;Subitamente sou abordado por duas crianças com quem habitualmente me cruzo num percurso diário, e me colocam uma questão “também és louco?”. A voz pareceu-me em tom de brincadeira, mas os seus olhares transferiram genuinidade á pergunta que só uma criança consegue ter. Não sabendo a resposta a tal pergunta disse “digam vocês” .”Não sabemos, os nossos pais dizem que quem está neste jardim é louco, mas tu não pareces louco, pareces uma criança curiosa como nós”.&lt;br /&gt;Esta frase plena de doçura infantil torna espelhados os meus olhos, fui reconhecido como um deles, por parte dos mais belos seres da terra. Ponho então estes dois geniozinhos, nos meus ombros, e resolvo ir ter com as pessoas que observei enquanto ali estive. Elas apresentam-se receosas, mas rapidamente tornam-se receptivas aos sorrisos infantis. Sentamo-nos e inconscientemente surgem histórias de aventuras vividas e sonhadas sempre com o mesmo calor transmitido pela fogueira, que é aquela grande árvore de folhas vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o jardim dos loucos, se tornou o jardim das crianças&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-5394073640917419485?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/5394073640917419485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=5394073640917419485' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/5394073640917419485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/5394073640917419485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/11/jardim-dos-loucos.html' title='Jardim dos loucos'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-7947528670395214978</id><published>2008-08-19T13:20:00.000+01:00</published><updated>2008-08-19T13:21:46.299+01:00</updated><title type='text'>Boa noite e obrigado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;        Um puxão numa pulseira, sorrisos como retribuição, o corpo sobre a relva, harmonias esvoaçantes. Imagens soltas na minha mente, que com centenas de outras forma o meu Andanças.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O meu Andanças começou em Novembro, as folhas “caíam novamente da minha arvore” e o meu rosto possuía aquele ar sisudo, que habitualmente me habita. No entanto este começava a ser iluminado por novos sorrisos, novas fontes de energia que fariam as minhas folhas novamente crescer. E o mais belo desses sorrisos presenteou-me com uma descrição. Neste lugarzinho a que chamamos mundo existiria um local, onde durante uma semana a terra do nunca se materializava. Milhares de crianças de qualquer idade juntavam-se e partilhavam, um sem número de músicas, historias, danças e brilhos no olhar…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Meses se passaram e as reticencias foram ficando mais carregadas, por vezes quase sou curado do meu síndrome de Peter Pan, a minha mente começou a tomar conta de todas as sensações, e comecei a pensar que o Andanças seria apenas, algo engraçado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No entanto existem dias em que o meu coração se ergue, desmantela todo racionalismo e põe a nu o que realmente sou. Um desses dias é aquele em que o cravo se torna a mais bela flor, fui comemorá-lo para a cidade dos mil sonhos, e em plena Avenida dos aliados uma banda dava um concerto que me deixou colado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“São Uxu kalhus, costumam estar no Andanças, olha estão aqui algumas pessoas que também costumam a lá estar!”. Nessa tarde apenas observei com vários sentidos, senti o espírito que havia naquelas pessoas, a beleza da música que era tocada, só convidei a minha alma para dançar, e ela aceitou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando voltei a dar por mim, já estava em São Pedro do sul, bebendo uma super bock, sentado numa bomba de gasolina, à espera da carrinha que me levaria aquilo com que na noite anterior tinha sonhado acordado. Observava dezenas de pessoas belas, inclusive um jovem que foi apelidado de Natura e do qual falarei noutro dia, noutro trecho. Uma calma quase digna de um estado de ataraxia invadia-me, tornava-me tela onde seria pincelado um sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;De seguida veio uma semana que adoraria saber passar para o papel na perfeição. Não sou capaz, por isso o meu espírito apenas me dá permissão para revelar que a cada minuto vislumbrava coisas cada vez mais belas. Uma paz reinava naquela aldeia, onde milhares de pessoas tinham resolvido se encontrar para, serem felizes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Esculturas em movimento eram elaboradas com grande precisão a cada dança. Notas eram conjugadas, de modo a criarem músicas com o poder de levitar todas as almas e estas surgiam não só nos palcos, mas também nos jardins, na cantina ou noutro local onde estivessem alguém e algo capaz de produzir som. Abraços eram dados sem receio. A fogueira indicava o caminho para histórias que transportavam qualquer um de volta aos seus 5 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Estava realmente ali a terra do nunca, tinha voltado a ser criança e a sensação era algo de maravilhoso. Um dia, a meio da semana fui ao espelho e a tal tela em que me tinha transformado, já havia sido pintada, possuía o mais belo dos sorrisos que fora construído por muitas pessoas que de diferentes formas amei, naqueles dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Com a maior parte dessas pessoas quase não troquei palavras, a excepção de três que repeti imensas vezes, enquanto cumpria o meu voluntariado. Partilhei imenso com tantos seres lindíssimos que habitaram carvalhais naquela semana, mas apenas três palavras foram comuns a todos eles. Todos me ouviram dizer:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Boa noite e obrigado!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-7947528670395214978?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/7947528670395214978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=7947528670395214978' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/7947528670395214978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/7947528670395214978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/08/boa-noite-e-obrigado.html' title='Boa noite e obrigado'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-5481680917885412462</id><published>2008-05-21T11:54:00.001+01:00</published><updated>2008-05-21T11:56:49.943+01:00</updated><title type='text'>Tic tac apresenta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/SDP_6MBhS8I/AAAAAAAAAAM/AIkPXmRyXnc/s1600-h/Cartaz%2BA3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/SDP_6MBhS8I/AAAAAAAAAAM/AIkPXmRyXnc/s320/Cartaz%2BA3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202783369668152258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:180%;"  &gt;B.I.  Bilhete de Ida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;em exibição no  &lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Estúdio Latino&lt;/span&gt; do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Teatro Sá da Bandeira&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;de 28 de Maio a 1 de Junho&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;todos os dias às 21h45, dia 1 de Junho também  às 16h.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;estudantes: 4  euros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;público geral: 5  euros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É  um Bilhete de Ida para uma viagem que muito poucos têm coragem para empreender.  Um passaporte para a complexa dimensão emocional das relações amorosas, com  especial ênfase na questão da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;bi&lt;/span&gt;ssexualidade, e o contraponto com os rígidos  paradigmas sociais e religiosos. As várias referências mitológicas pretendem,  numa espécie de paradoxo, desmistificar esta mesma questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto e  Encenação de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tó Maia&lt;/span&gt;, pois  claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;__________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais  info:&lt;br /&gt;http://bilhetedeida.hi5.com&lt;br /&gt;teatrotictac@gmail.com&lt;br /&gt;967777528&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(texto de marta pereira, sim eu faço parte do elenco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-5481680917885412462?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/5481680917885412462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=5481680917885412462' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/5481680917885412462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/5481680917885412462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/05/tic-tac-apresenta.html' title='Tic tac apresenta'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_KflJe1Ha-eo/SDP_6MBhS8I/AAAAAAAAAAM/AIkPXmRyXnc/s72-c/Cartaz%2BA3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-6795312499328758059</id><published>2008-04-26T22:23:00.000+01:00</published><updated>2008-04-26T22:24:37.316+01:00</updated><title type='text'>Por abril</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZUJts90HIHc&amp;amp;hl=pt-br"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ZUJts90HIHc&amp;amp;hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wj7LKI8rIUo&amp;amp;hl=pt-br"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wj7LKI8rIUo&amp;amp;hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cumprimentos a todos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-6795312499328758059?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/6795312499328758059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=6795312499328758059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/6795312499328758059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/6795312499328758059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/04/por-abril.html' title='Por abril'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-1318960034654060741</id><published>2008-03-24T14:45:00.002Z</published><updated>2008-03-24T19:20:11.907Z</updated><title type='text'>Sentado num banco</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Acordo, sinto o desagradável aroma de quem teve pesadelos toda noite. Não sou um ser atormentado, porém o meu subconsciente é bastante, e nas últimas noites os monstros e seres de outras galáxias são substituídos pelo teu olhar afastando-se.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nasceste algures no meu pequeno mundo, em sonhos em que partilhávamos o sangue, sentindo o sabor do outro misturando-se com o nosso. No entanto agora apenas tu bebes, sugas-me as réstias de vitalidade, apenas deixando o suficiente para que sobreviva, não te importas de me ver arrastar por entre ilusões, alucinando com a felicidade onde realmente existe um precipício.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por vários anos tiveste inúmeras formas. Ou terei sido eu que te procurei em vários corpos, mas na realidade tu apenas assumiste dois? Surgiste sorrindo numa tela mágica, fruto do pincel de um mestre de talento inalcançável, porém nunca te tornaste mais do que esboço, pois a cor teríamos que ser nós a dar e eu, bem eu nunca fui um artista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Abro a persiana lentamente, observo as minhas cadelas brincando, tentando focar a minha mente em algo que não seja o teu retrato a esfumar-se. Mas prendes a minha mente e este masoquista mental põe o cérebro a trabalhar compassado com o coração criando uma harmonia destrutiva da qual quero fugir. Por isso saio de casa, inspiro todo ar que posso. Este vem repleto de impurezas mas também me traz a vontade de vaguear, encontrar conforto nas ruas do Porto, sou um sem abrigo sentimental, no entanto procuro abrigo onde infelizmente muitos reais sem abrigo o fazem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um telefonema indica-me que terei um encontro. Serás tu? Dirijo-me então para uma ampla praça, embora não sem me perder antes um pouco dentro de uma livraria, aliás dentro das histórias que esta alberga. Quando chego a praça ainda ninguém lá está e sento-me num banco, à tua espera.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um casal idoso abraça-se à minha frente e eu sorrio, por vezes esqueço-me como é bom sorrir, começo-me a perder em sonhos que com o tempo se têm mostrado inacessíveis e durante segundos sou eternamente feliz. Que delicioso contra censo, que porém desaparece rapidamente quando a eternidade acaba e a minha mente volta ao facto de estar ali prostrado, sozinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Alguém ergue o meu corpo, no entanto eu permaneço sentado naquele banco, à tua espera.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não é contigo que me encontro, devido a isso apenas o meu corpo se move. Durante uma tarde ele vê as coisas mais belas, mas nada penetra a minha alma e tudo se perde no ar poluído da minha cidade encantada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Apenas com o aroma nocturno, o meu ser volta a encontrar plenitude. A companhia mudou e questiono-me mais uma vez se estás presente? E em quem estarás presente? Pois o teu perfume habitual, confunde-se com um outro. Estás a adquirir novamente um corpo diferente? Ou a carência está a tentar-te fabricar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O certo é que volto a ser capaz de adquirir a beleza dos espaços que percorro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Deito-me com dois sorrisos, duas vozes, dois esboços de olhar na tela a que chamo mente. Um é com certeza o teu mas parece afastar-se, apagar-se. Outro aparece imperceptível, extremamente suave mas o meu coração tenta acreditar que nele vê carinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Adormeço, com iguais percentagens de tristeza e felicidade, pois creio que um dia o nosso sangue se confundirá novamente e apesar de nunca teres existido realmente sei que posso usar a mais bela expressão pela 1ªvez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Amo-te&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;André (escrito na minha mente na ultima terça feira)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-1318960034654060741?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/1318960034654060741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=1318960034654060741' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/1318960034654060741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/1318960034654060741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/03/sentado-num-banco.html' title='Sentado num banco'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-346913514867108870.post-1833460306485857082</id><published>2008-03-06T17:36:00.001Z</published><updated>2008-03-10T11:30:45.607Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Limpo a lama que me impede de discernir o quanto estou longe do fim deste martírio. Há cerca de três dias que não para de chover, a mata parece-me toda igual e apenas consigo dizer que estou algures em Phnom Penh.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Recordo aquela tarde de Agosto, estava exausto, faziam 44º no exterior de minha casa, mas uma clareza invadia a minha mente, no televisor habitualmente usado para assistir a jogos de Futebol acompanhados de muita cerveja, era exibido um documentário, “ os verdadeiros Diamantes de sangue continuam”. Três horas de expurgações, degolações, corrupção, massacres e violações físicas e mentais apareciam diante dos mesmos olhos que lentamente aprenderam a verter lágrimas genuínas.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Prostrado no chão tentava assimilar o choque de me ser aberto desta forma o mundo real.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Durante semanas as noites foram passadas no beiral da janela, observando o nada, reflectindo sobre tudo, apreciando as mesmas estrelas que serviam de tecto a assassinos e assassinados. Séculos de história mundial sanguinária foram vividos rápida mas intensamente. Fui escravo no antigo Egipto, na Roma imperial, numa nau lusitana, na construção civil espanhola. Fui empalado na Roménia e na federação russa, gazeado na Alemanha, mutilado no Ruanda, decapitado no Camboja, torturado em Abugahibre e Guantanamo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acalmo a descrição daquele dia para meu bem, pois a pulsação atinge o seu limite e um som apresenta-se perante mim ao longe, parece-me familiar, porém os sons familiares que têm preenchido os meus dias são os das AK-47 e os gritos de mulheres violadas na mente e no físico.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Malditos sons assombrantes, não me saem do cérebro! Cento e cinquenta almas executadas de uma só vez por terem referido a palavra liberdade, no dia em que descobri o Camboja. Milhares tombados para que todo um povo sonhe.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Refugio-me por entre arbustos, não os de minha casa, como no dia em que fugi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Cansado, revoltado com o planeta que acabara de conhecer, meti uma mochila as costas e procurei fazer algo, vaguei sem destino mas com orientação para sul, a ideia heróica e sonhadora de uma revolução mental concretizada apenas pelo meu poder de argumentação, foi caindo por terra à medida que os povos aprisionados pelo sofrimento me pediram para partir. Pois eu poderia trazer problemas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Passei fome quando não encontrava povoações, fui escorraçado de algumas delas, e a vontade de esquecer a minha alma e voltar a casa…ai, ia-se adensando!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O som familiar é uma coluna de mercenários que me procuram, sustenho a respiração e o pestanejar aquando da sua passagem, já não desejo voltar a casa, sou perseguido é certo, milhões pereceram a defender os meus ideais. Mas não desejo voltar a casa, enquanto pelo menos um acreditar naquilo que refiro, todas as baixas e sofrimento terão sentido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando pela 1ª vez tiveram encontrava-me no Sahara ocidental, arrastava-me pelo deserto há três dias sem encontrar povoações, não tinha ninguém, a não ser alguns sonhadores que me haviam seguido a partir de jornadas anteriores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Movimento da areia em mais uma colina polvilhava-nos com um prenúncio sinistro, o calor alucinogénico não nos permitia discernir o que se encontrava perante nós a mais de dez metros de distância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Devo confessar que nunca gostei de uniformes, nunca me deram a ideia de igualdade de direitos entre os que os vestem, como seria suposto. Mas sim de seres formatados, iguais entre si por terem perdido a sua individualidade. E no instante que subimos aquela colina, passei a odiá-los.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dez mil daqueles seres, armados com todo tipos de material bélico, de fabrico de algumas das nações mais poderosas do planeta, apresentavam-se com uma “salva” de metralhadoras que instantaneamente ceifou a vida a vinte e três seguidores. Seguiu-se uma batalha entre robots armados com armas e homens armados com um sonho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desta vez os robots venceram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Porém eu ganhei substancia. As lágrimas sangradas por cento e vinte e oito homens mortos, setenta e cinco capturados, vinte e três feridos gravemente (vinte e dois mais tarde faleceriam), não foram mais fortes que o alento de perceber que aqueles poucos que me seguiam, afinal eram milhares. Nesse momento eu perdi, para sempre, a vontade de voltar para casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caminho na direcção de uma aldeia controlada por &lt;span style=""&gt;Khmeres Vermelhos, não é seguro mas necessito de água. No centro da aldeia um aglomerado de pessoas de militares, homens civis, mulheres e crianças não me permite observar o que se passa, mas ajuntamentos destes são a assinatura de execução pública. Roubo a água e fujo para a mata rapidamente, porém um desviar de olhar leva a penetrar em mim a gota do veneno da tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Kim, um grande amigo revolucionário encontra-se prostrado, morto, com o corpo separado da cabeça por uns doze metros, cabeça essa que é agora exibida como troféu por um rapaz que não terá mais que 11 anos. Pobre Kim, pobre rapaz. Mas retenho uma coisa, mesmo depois de morto, o olhar de Kim continua a mostrar que este foi um homem que deu sentido a palavra coragem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Também a mim tentaram decapitar varias vezes,&lt;/span&gt; &lt;span style=""&gt;Robespierre quase o conseguiu após a revolução francesa, porém fui sempre escapando, dessa vez cheguei a ter o pescoço alinhado com uma guilhotina, mas num volte face extraordinário todo um povo se uniu para me salvar e foi Robespierre que acabou no meu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Os anos foram passando, prossegui a minha missão, resisti aos romanos em Mossada, estive na capela de um general revolucionário em vinte e cinco de Abril de 1974, invadi o parlamento sérvio, derrubei um muro na Alemanha, fiz parte da guerrilha timorense. Discursei na Bolívia e no Brasil e no resto da América latina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Que saudades da América Latina, foi lá que vi nascer o meu maior seguidor, não pelo que fez ou não fez, mas pelo que levou outros a fazer, pelo que inspirou. Jovem médico Argentino, de uma honestidade invejável, ainda hoje vejo o seu rosto junto ao peito de milhares em todo mundo. Tombou face à espada da opressão mas o seu espírito não morreu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Ele está presente em todos Revolucionários, esta presente aqui nesta mata perdida algures no Camboja!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A minha pulsação aumenta repentinamente, momentos de distracção permitiram que caísse em mais uma emboscada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Um ex. seguidor meu corrompido pelo metal pontapeia-me no estômago, cuspo sangue. Sou amarrado. Sou cuspido. Sou esbofeteado. Mas não sou morto nem amedrontado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Caminho já há horas, mas não me sinto exausto, derrubam-me novamente e as minhas costelas, salientes pela falta de alimento, embatem numa rocha (talvez três se tenham partido tal é a dor) ouço um dos homens a dizer que está a virar ambientalista e por isso me ira usar como cinzeiro, mais propriamente usa os meus olhos como cinzeiro, cegando-me não sei se temporária ou definitivamente. Ando mais uns quilómetros, a cegueira era temporária mas a dor é permanente, um outro refere que quer seguir o exemplo do primeiro, e como está no meio da selva e não existindo ali casas se banho, volta-me a derrubar defecando-me em cima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas nada derruba a minha alma, continuo sem dizer nada, o meu olhar revela superioridade sobre aqueles homens e mesmo quando eles me violam sou eu que tenho a vantagem psicológica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Estou agora numa sala de audiências, julgamento fabricado acaba de me condenar a forca, sorrio sereno, já sabia antes do julgamento que aquele seria o veredicto, sou levado a uma cela de dezasseis metros quadrados onde estão mais 50 outros reclusos. Passo esta que é supostamente a minha última noite, a contar a minha história, influenciando aqueles que conseguirem se salvar daquele calabouço a seguir o meu caminho. Há muito que não estava tão calmo, não sinto dor, não sinto ódio, apenas uma suave calma que me faz adormecer e descansar. Descansar antes da minha execução &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Sou levado da cela por volta das 10h00, milhares vieram assistir a minha morte. Todos que tentaram um dia ser meus carrascos estão na primeira fila da plateia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Hitler com o seu bigodinho aparado, Estaline com o seu desarranjado, Mugabe, Luís XIV, César augusto, Pinochet, Bush pai e filho, Sadam…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Todos maravilhados com o meu pescoço a ser colocado na forca, apertam bem o nó e no momento que o cadafalso se abre solto uma gargalhada audível em todo planeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pois enquanto povos viverem oprimidos, manipulados. Enquanto crianças tiverem que pegar em armas em África para o enriquecimento do ocidente, enquanto almas forem torturadas eu não morrerei, não posso morrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Porque eu sou o espírito revolucionário!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/346913514867108870-1833460306485857082?l=trechosdispersos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/feeds/1833460306485857082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=346913514867108870&amp;postID=1833460306485857082' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/1833460306485857082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/346913514867108870/posts/default/1833460306485857082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trechosdispersos.blogspot.com/2008/03/limpo-lama-que-me-impede-de-discernir-o_06.html' title=''/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10433271999623891713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
